FALAR DE TUDO, PARA NAO FALAR DE NADA...



karma? what karma?

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Há por esses blogs fora, muito boa gente a fazer o balanço de um ano triste. Triste como foi o meu, no fundo, apesar de eu ser uma mulher feliz, mas com a quantidade de filhos-da-puta que se me atravessaram pelo caminho, não há felicidade nem mulher que aguente. Depois dos (des)amores habituais de novembro (de há uns anos para cá, há um karma que me persegue em novembro), acabo o ano tranquila, de cabeça limpa e perna dura de tanta caminhada no deserto. E faço votos para 2006. Amar perdidamente. Ter homem, sangue e vida em mim. E dizê-lo cantando a toda a gente. (sim, lembras-te disto, no meio de uma francesinha, na véspera de natal, o rio douro como testemunha). Com o espírito optimista mais apurado que nunca. Foda-se, o próximo ano há-de ser melhor, seguramente.


Onde é que se compra...

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ousadia?


Sensível...

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A minha irmã e o terrorismo em Londres

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até me entrevistaram hoje na minha rua veja lá, eu a passar com um lenço preto na cabeça, tipo carmen miranda, fui confundida com islâmica e lá me perguntaram se eu achava que a comunidade iria ser afectada, o backlash, e eu tipo muito estúpida a falar em nome do Islão, e a dizer que não, que não, que o Islão não é o mesmo que terrorismo e agora deixem-me lá ir, que eu tenho que ir comprar pão.
Enfim, na realidade não me assustei e até estava em Liverpool quando poooom, mas eu tenho um anjo, e não se passara nada, pergunto, então hoje não há metro? ok vou de autocarro? então hoje não há autocarro? vou a pé... e continuo a andar, numa aceitação promissora.
e as pessoas passavam à minha volta num silêncio estúpido, umas corriam dos edifícios, e havia polícia por toda a parte.
comecei a crer que se passava algo.
mas porque estaria aquele senhor da gravata tão sujinho cheio de cinza? se passa algo, maria.
Can I use your phone?- someone asks me in tears.
Will you be quick?- I said.
Don't you know?- he yells at me- 4 bombs just exploded in London!!!
What?- I said.


É só querermos

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London 2005
lembro-me de mergulhar numa lagoa encontrada numa montanha, no alto do nada, fazia calor e doíam-me os pés e eu estava desesperada de sede, a minha garrafita acabada e não havia nada ou ninguem à volta. Questionava como sobrevivem os africanos, e a minha impaciência aumentava em desespero, amaldiçoei deus e os rouxinóis, e nada quis aceitar da vida, até que literalmente me caiu uma manga na cabeça. É verdade. Caiu-me uma manga na cabeça. Puum!!! Isto foi no Brasil há três meses. E depois fez-se luz, sabes! Abri a manga e chupei e chuchei e ali me quedei na sombra do mangal.
Há um ano atrás, algo semelhante mas um pouco mais surreal aconteceu-me. Na Índia.
Estava a tomar o pequeno almoco numa mesa instalada na praia de Agonda, em Goa. O paraíso.
Nada havia à minha frente senão a imensidão marítima, e a vasta praia deserta, os céus abertos e o calor do início de um novo dia, quando eu me senti aborrecida.
Pois é. Este aborrecimento tomou-me como uma lama pastosa, enchendo-me dos pés à cabeça. Estava mais aborrecida do que aborrecida, e irritada de aborrecida, irritada comigo por estar aborrecida, porque raio estou eu aborrecida? E amaldiçoei os deuses e os rouxinóis, quando me caiu na cabeça um peixe! Pois é... caiu-me na cabeça um peixe!!! Dos céus. Tipo milagre. Com tanta força que ate me doeu. Perdi-me de riso.
Vê lá tu, a vida tem destas coisas...
Ainda hoje me rio tremendamente da minha burrice, e da minha sorte.
Duas pauladas na cabeca às vezes é só o que a gente precisa para perceber que estamos vivos e que, morais a parte, tudo é possível.
saudades
anab.



It can't come quickly enough
And now you've spent your life
Waiting for this moment
And when you finally saw it come
It passed you by and
Left you so defeated

Scissor Sisters


Estou muito além

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Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P’ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão

Vou continuar a procurar a quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só
Quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci

Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P’ra outro lugar

Vou continuar a procurar o meu mundo, o meu lugar
Porque até aqui eu só
Estou bem
Aonde não estou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não vou

(Estou além, António Variações)


A Única Alegria Neste Mundo é a de Começar

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A única alegria neste mundo é a de começar. É belo viver, porque viver é começar, sempre, a cada instante. Quando esta sensação desaparece - prisão, doença, hábito, estupidez - deseja-se morrer. É por isso que quando uma situação dolorosa se reproduz de modo idêntico - parece idêntica - nada apaga o horror que tal coisa nos provoca. O princípio acima enunciado não é, portanto, próprio de um 'viveur'. Porque há mais hábito na experiência a todo o custo do que na charneira normal aceite com o sentido do dever e vivida com entusiasmo e inteligência. Estou convencido de que há mais hábito nas aventuras de do que num bom casamento. Porque o próprio da aventura é conservar uma reserva mental de defesa.

Cesare Pavese, in 'O Ofício de Viver'


Arde sem se ver

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A culpa não é da praia
Se o meu corpo se queimar
A culpa é da vontade
Que eu tenho de te abraçar

A culpa não é do mar
Se o meu corpo se ferir
A culpa é da vontade
Que eu tenho de te sentir

António Variações


Às vezes

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"A cidade está deserta,
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte:
Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas.
Em todo o lado essa palavra
Repetida ao expoente da loucura.
Ora amarga, ora doce,
P'ra nos lembrar que o amor é uma doença,
Quando nele julgamos ver a nossa cura."
Ornatos Violeta

Disse-lhe hoje que a palavra amor não se escreve nas paredes. Só nas linhas de um poema ou na tela do cinema.
De resto, convém preservá-la, não a deixar esborratar em cada esquina dos dias.
Às vezes, há uma solidão aterradora.
Um novelo de lã emaranhada.
Nós que não consigo desfazer.
Nós eramos felizes.
Por tua causa, já escrevi noites de páginas com a palavra amor.
Já peguei nela de todas as maneiras. Já a virei ao contrário. Espreitei-lhe as entranhas. Usei e abusei.
Gastei a palavra, amor.


Amanhã

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O olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou;
E estamos os dois falando
O que não se conversou.
Isto acaba ou começou?

Fernando Pessoa


Uma estrela

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"Para que percorres inutilmente o céu inteiro à procura da tua estrela? Põe-na lá"
Vergílio Ferreira

Tenho um céu demasiado negro e salpicado de biscoitos luminosos. Quem me dera que uma estrela me caísse em cima e escorregasse pelas costas abaixo.


Quero fugir

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Cruzámo-nos numa qualquer esquina, num qualquer lugar perdido na memória. Entrelaçámos ideias, rimo-nos de ideais, roubámos perguntas à realidade.
Há coisas assim na vida. Que não se explicam, que não vale a pena esgravatar.
Há coisas que não fazem sentido, simplesmente porque não têm que fazer sentido.
É melhor fechar os olhos. Deixar correr o mundo. Viver os pequenos anseios, meticularizar as pequenas emoções.
E aí tornamo-nos grandes, procuramos aquilo que realmente devíamos ter sido e não fomos. Achamos que somos felizes nem que seja por um bocadinho, uns minutos de explosão, um pedacinho de céu, uma nesga de mar.
Para querer fugir.



Vivemos numa sociedade muito esquizoide. Parecemos crianças grandes. Queremos tudo. Queremos a nossa privacidade e o nosso espaço. Mas depois queixamo-nos de que estamos sós, que não temos ninguém. Não se pode ter tudo, de facto. Há um preço a pagar pelas coisas.

Francisco Alves, encenador


Esplendor na relva

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Though nothing can bring back the hour
of splendor in the grass, of glory in the flower
we will grieve not, but rather find
strength in what remains behind.
William Wordsworth

Finalmente vi Splendor in the grass.


What goes on, goes on

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Tentarei não andar à volta da lua para ver nascer o sol.
Esperarei o tempo que for preciso.
Sorrirei as vezes que for preciso.
Chorarei as vezes que for preciso.
Para te poder amar como eu quero amar-te.



Caberia, eventualmente, numa frase tudo aquilo que gostava de te dizer, mas seriam só as palavras.

E eu gostava de te dizer muito mais do que as palavras, muito mais do que com palavras. O gesto que faltaria no papel seria o mesmo gesto que me falta hoje na vida. A tua pele quente nos meus dedos, os teus lábios nos meus lábios, o teu corpo no meu corpo. São todos esses gestos que me faltam e mais aqueles que inventaríamos, na urgência do desejo. São todos esses gestos que caberiam numa frase, mas morreriam ao encontrar a aspereza do papel.
E eu quero mais do que isso, mais do que letras alinhadas com a ordem implacável das palavras. Quero as letras sem nexo, atiradas para o ar, quero as palavras que surgirem, porque sim, quero os gestos desalinhados, as palavras emprestadas aos gestos, quero a sucessão de palavras e gestos e gestos sem palavras e a turbulência das palavras entre os gestos, porque sim, porque sim, porque sim.

Silêncio.

Caberia, eventualmente, no silêncio tudo aquilo que gostava de te dizer.


Não se volta a um lugar onde se foi feliz

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Perdi-te, tinha 23 anos. Perdi-te. Será essa a palavra certa? Temo que sim.

(Parece que, desde então, nunca voltei a ser a mesma)

Perdi o brilho dos teus olhos, a curva quente do teu pescoço, o enigma do teu sorriso. Perdi a alegria de me perder no teu abraço, o simples conforto do teu calor.

(Parece que, desde então, nunca voltei a ser a mesma. Mas dizem-me que também já não és mais o mesmo. Por motivos diferentes, creio)

Perdi-te e quase posso jurar que não há um dia em que não pense em ti. Na tua beleza apaixonante, na tua simpatia fácil, na tua entrega aos outros com uma devoção quase cristã, na tua busca de solidão.
De há uns dias para cá, há uma frase que não me sai da cabeça. "Não se volta a um lugar onde se foi feliz". Pavese. É estupidamente verdade. Mas não consigo resistir. Volto constantemente aos lugares onde fui feliz e toda a dor que sinto com isso provoca-me, ao mesmo tempo, algum prazer masoquista.
Por isso, não lido bem com a angústia das memórias. Volto inúmeras vezes. Em pensamento, vagueio a tua presença. Bastava-me isso: a tua presença.
Recordo a felicidade que me enchia os pulmões, como um balão de ar. A felicidade das "simple things", lembras-te?, a felicidade de tudo.
Mas agora acho que nessa altura nunca cheguei a perceber bem como era feliz.


O rochedo dos apaixonados

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Queria que estivesses aqui. Esta paz. Este silêncio. Esta liberdade que nos ajuda a esquecer o mundo em que vivemos. E as histórias que tenho para te contar. Coisas simples. Palavras fáceis, como framboesa. Ouvir o mar em concha. Contar as contas dos sonhos. Os sonhos que tenho para te dizer! Mas falta-me em coragem o que me sobra em imaginação. Faltam-me as palavras que me sobram nos sonhos. E o desejo que tenho de te abraçar? Se soubesses…



Os estados mais intensos exprimem-se através da ausência de palavras. Através do silêncio. A morte. Um orgasmo. A tristeza suprema. O cúmulo do júbilo. Sempre o silêncio.

Somos construtores de capelas imperfeitas. Brindemos ao incompleto, ao imperfeito, porque esse é o caminho da perfeição.

José Manuel Mendes



- Disseste que, para Marx, o capitalismo era uma sociedade injusta. Como definirias uma sociedade justa?
- Um filósofo moral de inspiração marxista, John Rawls, tentou dar uma definição, servindo-se deste exemplo: imagina que eras membro de um Conselho Supremo que tem de fazer todas as leis de uma sociedade futura.
- Consigo muito bem imaginar-me num Conselho desses...
- Eles têm de pensar em tudo, porque mal estiverem de acordo e tiverem subscrito todas as leis, morrem!
- Que horror!
- E, segundos mais tarde, acordam na sociedade cujas leis fizeram. O truque é o facto de não fazerem ideia de onde acordarão nessa sociedade, ou seja, qual será a sua posição nela.
- Compreendo...
- Uma sociedade destas seria uma sociedade justa. Cada um estaria entre iguais.
- E cada uma entre iguais.
- É evidente. Porque no jogo de Rawls também não saberíamos se íamos acordar como homem ou como mulher...

Jostein Gaarder


Enquanto a banda toca...

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A minha vida está num caos niilista. É a melhor definição que encontro.


É ou não o maior pai do Mundo?

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Anteontem, o meu pai telefonou-me:
-Estás bem, filhinha?
-Estou... Porquê?, estranhei o tom de voz preocupado.
-É que eu levei-te lá acima para te mostrar o Mundo. Até se subia bem. Era um bocado inclinado, tipo pirâmide, mas subia-se bem. E depois de te mostrar o Mundo, queríamos descer, mas aquilo transformou-se e a descida era a pique. Parecia um obelisco. E eu tinha medo que te magoasses...


Quando é que isto vai acabar?

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Não me sinto a viver. Sinto-me a passar um período transitório da vida.


Dizer ou não dizer?

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Se te encontrar por aí, não te direi aquilo que gostava de dizer. Preferia antes que tu me encontrasses por aí, aqui, e me dissesses aquilo que eu gostava de te dizer. Para depois te poder encontrar aqui, lá, por aí. E dizer e não dizer. O dizível e o indizível. O silêncio e a turbulência das palavras. E saber deixar de dizer o que não quero dizer. Antes soprar, letra ante letra, lentamente, l-e-t-r-a ante l-e-t-r-a, tudo o que gostava de te dizer.


Rabiscos

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Como já terão reparado os que ainda têm paciência para vir cá espreitar se eu escrevi alguma coisa, eu não escrevo.
Prefiro não escrever. Entre escrever qualquer coisa que não tem o mínimo de interesse ou de qualidade e não escrever, prefiro não escrever.
Não quero fazer deste blog um diário, mas um espaço para partilhar com algumas pessoas textos avulsos que vou rabiscando.
Ponto.
E como não tenho rabiscado nem me consigo forçar a rabiscar -porque não há condições físicas e psicológicas para rabiscar- não rabisco.
Ponto.
Não é, no entanto, mentira que tenho pena de não rabiscar.
Rabiscarei.
Ponto. Parágrafo.


Perguntas e respostas

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Antes, estudava para dar respostas.
Agora, estudo para fazer perguntas.
O mesmo método. Sublinhados, anotações nas margens, resumos.
Antes, para responder a perguntas de exames.
Agora, para colocar perguntas a entrevistados.


Fim de semana, enfim fim-de-semana

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Ainda faltam vinte minutos para as nove da noite. Chego à estação de Braço de Prata e não vejo uma única pessoa. Vazia. A noite está fresca, num prenúncio de frio de Inverno. Ouço os grilos a refilarem contra a escuridão.
Distraio-me com a luz branca dos candeeiros. Os paineis electrónicos com as informações dos combois que hão-de vir.
Espero.
Chega um comboio. Há barulho. O comboio parte.
Silêncio de novo. Apenas um carro ao longe.
Espero.
Aconchego o casaco.
Espero.
E agora o anúncio da chegada do meu comboio, uma voz feminina pseudosensual.

Atenção, senhores passageiros. O comboio suburbano procedente de Alverca, com destino a Queluz-Massamá, vai entrar na linha número dois. Efectua paragens em Marvila, Chelas, Roma-Areeiro…


Saio aqui.

Há correspondência com a Carris, o Metro, a RL e os TST

Tenho pela frente a Avenida de Roma. Movimentada. O ronronar zangado dos carros. Buzinadelas. Ambulâncias. Neste cosmopolitismo, sinto-me bem. Estou de fim-de-semana.



Descobri os Wordsong que me obrigaram a descobrir Al Berto. Às vezes, arrependemo-nos de ter deixado para hoje o que podíamos ter feito ontem.
Ainda não tinha descoberto Al Berto apenas por preguiça. Andava a adiar o meu encontro com ele. Até que o encontrei, em cio. Porque encontrei a voz de Pedro D’orey, que nos entra pelo corpo dentro, em cio
E foi-se a preguissssssssssa...

Eu vi em cioooo os dedos por cima
Doutros sexos lisos como os limos
Que escorregam para dentro
Dos sonhos eu vi eu viiiiiiii
Eu vi a sereia do sonho cansada
Levantar-se luminescente eu vi
Caminhar incerta pela noite adiante olhos vibráteis
Captando a fragrância
Preciosa dos distantes
Marinheiros em cioooooo
Os dedos por cima doutros
Sexos lisos
Eu vi em cio em cio em cio em cio
Os dedos por cima doutros sexos lisos como os limos que escorregam para dentro
Dos sonhos em cio inocência calcária dos dias em cio
Medusas mortas o corpo enchendo-se
Com os despojos em cio
De um mar eu vi em cioooooooooo eu vi
Em cio eu vi em cio
Despojos do mar eu vi inocência calcária dos dias
Eu vi em cio eu viiiiiiiiiiiiiii em cio em cio em cio

“Em Cio”, Wordsong
A partir de “Mito da sereia em Plástico Português”, Al Berto


Lulla, bye...

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Ela conheceu Lulla naquele dia em que se perdeu em Nova Iorque. Foi o único dia em que se perdeu em Nova Iorque. Deviam ser nove da noite, porque já estava escuro. Fazia muito frio. Trazia o casaco branco abotoado até cima, um gorro na cabeça e as luvas. Tinha passado a tarde inteira metida na galeria de Roland Smith. Ele telefonara-lhe no fim da manhã

(“Tens que vir cá ter depressa”
“O que é que aconteceu?”
“Vem cá ter, por favor, já te explico.”)

Foi quando se cruzou com Joe Gould, que ela se perdeu. Ficou a pensar na vida daquele homem, tão perto e tão longe da vida. Ficou a pensar se valeria mais a pena estar perto ou longe da vida, perto ou longe dos outros. Sentia que para estar perto da vida, teria que estar longe os outros. E foi aí que não virou à esquerda. Continuou. Depois virou. Começou a nevar. Parou num semáforo para atravessar. Cheirava a canela na rua. Começou a cantar “Walk, don´t walk” e a olhar para os rostos das pessoas. Era um dos seus passatempos preferidos, em Nova Iorque. Imaginar vidas por trás das caras, emaranhar-se num complexo jogo de Ialta, onde nem Tchekov se orientaria.
Foi nesse momento que olhou para Lulla e a única vida que conseguiu imaginar atrás desse rosto foi a dela. Ela queria estar atrás do rosto de Lulla,

(nessa altura ainda não sabia o nome dele)

queria que ele lhe dissesse naquele momento, sempre estive à tua espera,
queria que ele lhe segredasse ao ouvido, és a mulher mais bonita que vi hoje,
queria que ele corasse, não me leves a mal, mas podemos tomar um café juntos?
queria que ele, no fim da noite, a embalasse, I will sing you a lullabie.

E ele aproximou-se dela e disse-lhe que tinha estado sempre à espera dela,
ele segredou-lhe ao ouvido que ela era a mulher mais bonita que tinha visto naquele dia,
ela corou, ele não, mas perguntou-lhe, podemos jantar juntos?
ela sorriu, corou outra vez, jantaram juntos, perderam-se juntos,

(“can you sing me a lullabie?”)

encontraram-se juntos e juntos ficaram durante o tempo em que ela viveu em Nova Iorque. Um tempo em que se amaram eternamente,

(como Vinicius vaticinou, o amor é eterno enquanto dura)

até ao dia em que ela teve que lhe dizer

“Lulla, bye”.
“I will always sing you our lullabie”.


Ironia?

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Hoje, fala-se no Papa para Prémio Nobel da Paz.


Depois de um dia de trabalho, namoro as palavras

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Momento de relaxamento. Pareço uma solitária. Janto sozinha no Vasco da Gama, porque o comboio das 20h estava esgotado. Fumo o cigarro da descompressão. Relembro momentos de angústia que aqui passei sozinha. Na cidade e na vida. Assim me sentia. De novo, o meu problema com o passado, ao embrulhar-me no lençol das memórias.
Hoje, trabalhei das 9 da manhã às 7 da tarde. Já não era assim há muito tempo. Vai passar a ser assim. Todos os dias.

(Ao meu lado, janta um homem novo que também parece um solitário. Fuma um cigarro. Olha para a factura do telemóvel.)

Estou realmente cansada. Passei um dia verdadeiramente estafante. Sabe-me bem, agora, sentar-me e entrar noutra dimensão, embora num lugar tão pouco poético, tão pouco literário. Sinto o corpo a ir para longe, até que me lembro das coisas que ficaram por fazer. Anoto-as no verso deste papel de gatafunhos. De novo, esqueci-me da agenda.

(O homem solitário continua sentado ao meu lado. Agora levanta-se.)

Escrevo, porque tenho necessidade de palavras. Assim, sem verbo. Queria ir buscá-las como faz o José Luís Peixoto no livro que me ofereceu hoje, mas não consigo. Não sei. Quando crescer, quero ser escritora. Para já, vou namorando as palavras.

(26.09.03)


A solidao

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O silêncio da casa existia entre a escuridão.
E o silêncio da escuridão existia dentro da casa.
Na casa, existia o silêncio da solidão.
Na escuridão, o silêncio da solidão.
A solidão escura e silenciosa.
Silenciosa e escura. Silenciosa.
Silenciosa. Escura. Uma longa e lenta e lúgubre solidão.

(a partir dos títulos das obras de José Luís Peixoto “Uma casa na escuridão” e “A casa, a escuridão” e duma frase retirada do livro de contos “Antídoto”)


Carta aberta ao Luis

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Sorrindo, mergulhavamos um no outro. Primeiro, os braços nos braços e depois os lábios nos lábios. E mergulhavamos as histórias nas histórias. E os sonhos nos sonhos. E não havia dúvidas que nos fizessem ter medo. Mas também não tínhamos medo de ter dúvidas. Eramos assim. Iamos sendo, porque nunca se é.
Até que um dia deixámos de ser os dois. De chorar o que o outro chorava. De sorrir o que o outro sorria. De amar o que o outro amava. Deixámos, assim, de nos amar.
Agora, tu amas outro sorriso. Eu amo outro sorriso. Mas amarei sempre o nosso mergulho, o nosso sorriso.


Respondi-lhe, contando tudo

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Quando alguém está numa situação como a tua, que poderei eu dizer a partir de Lisboa?...
Que poderei eu perguntar?...
Tudo o pouco que me sobra para contar às horas vagas dos autocarros e comboios e das rádios e dos encenadores e actores está aqui.
Tenho a mesma sensação que tu, mas no sentido oposto. Palavras são nada comparadas com esta vida. Ou serão tudo? Serão o que resta?
A verdade é que tudo fica para pensar e para interrogar.
E apesar de tudo, Lisboa é fantástica.... ainda assim.
VIVE



Depois de catorze horas num sleeper bus, cheguei a ARAMBOL, Goa.
Aluguei uma casa na praia no meio do nada. Pago 200 escudos por dia.
A praia é linda, o mar absolutamente fantástico, as pessoas sorridentes e queridas...
Passeio pela vila: aqui vive-se sem nada, lentamente, e com muita paz interior.
No ar, ouve-se o silêncio.
Respira-se a brisa... ouve-se os corvos.
O restaurante mais perto fica a uma hora e é único, a comida deliciosa e compensa a caminhada por entre as palmeiras no alto da montanha. Gosto muito de estar aqui. É como uma contínua meditação. Vou entregar-me a esta meditação mais profundamente e disconectar-me um pouco da internet, mas quero que saibam que nunca estive tão feliz e que está tudo a correr bem.
Conto tudo quando voltar, porque agora as palavras são nada comparadas com esta beleza....e esta experiência será sem dúvida fantástica....
NAMASTE



No Verão tenho saudades do Inverno, no fim do Verão tenho saudades do Outono, no Outono tenho saudades do Verão, no Inverno tenho saudades da Primavera, na Primavera sou quase feliz.


Modus vivendi

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Há alturas em que sentimos vontade de mudar pequenas coisas na vida e, depois, ficamos com a sensação de que mudámos de vida. Basta alterar o corte de cabelo, começar a fazer ginástica, passar a utilizar os transportes públicos, o que obriga a fazer pequenos trajectos a pé pela cidade, ou enfrentar mudanças no próprio trabalho que fazemos diariamente.
Estou a tentar pôr em pé o arranque da crónica da nova grelha, que começa na segunda-feira, mas deparo-me com uma série de pequenos problemas que, todos juntos, se transformam num grande problema. E, porque são problemas, não me apetece deles dar aqui conta.
Uma coisa boa: o Mésicles já escolheu a música (aquilo que nós chamamos “trilha”) para as crónicas e agora vai trabalhá-la, preparar um “indicativo” de abertura e de fecho e um “sem-fim”. Gosto da trilha,
(acho mesmo que gosto muito da trilha)
embora ainda seja uma saudosista da do ZIP.
(Tenho muitas saudades tuas, Tiago)
Segunda-feira, já me podem dar uma opinião.
Entretanto, amanhã vou afogar-me novamente em agenda, datas, horas, ensaios e marcações de entrevistas, para começar a alinhavar os primeiros dias, ponto por ponto, como quem borda um pano em branco.


Num sopro

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Percebi que tenho uma enorme dificuldade em lidar com o futuro. Talvez por estar demasiado agarrada ao passado.
Embrulho-me facilmente num lençol de memórias, deixo-me levar por elas, pareço uma folha que caiu da árvore e voa leve com os primeiros ventos do outono.
Quando olho para o futuro, abrando. Dez anos, um ano, um ano é futuro.
Não sei onde vou estar, não sei o que vou fazer, não sei quem vou ser.
Mas sei que vou parecer-me com a folha que caiu da árvore e voa leve com os primeiros ventos do outono.



amor amora
amoramora
amora mora
amora amor
amoramor
amor amora


Quem sabe, Portugal?

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Portugal é um país onde os bombeiros andam a combustível fiado.


memoria de formiga IX

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A discussão da pedra da floreira da sala.
Nessa altura, ainda estava lá a grande e imponente árvore da borracha.
Não quero lembrar-me.



Estou com o ouvido encostado à barriga da minha mãe. Tenho 3 anos. Ela está encostada à porta da varanda da cozinha. A minha irmã está dentro da barriga dela.



A compra do vídeo. Dois momentos que retive.
Vejo esta imagem: o meu pai atravessa uma linha de caminho de ferro. Numa mão, segura o saco com vídeo
(Sharp, era pai?).
Na outra mão, segura a minha mão.
Chove fortemente. Julgo que chega a haver trovoada. Aquela trovoada que só o Porto conhece.
Estaríamos atrasados?
Quando chegamos a casa, colocamos o vídeo na prateleira de tijoleira da sala. Seria?


Dadaismo serodio

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Rumo à lua, mas não antecipemos os acontecimentos.
Hoje, à distância de mais de meio século, é caso para perguntar que teria ele feito se não sentisse de forma tão aguda as limitações do tema.
"Nem selenitas, nem monstros, nem fabulosas surpresas".
A viagem planetária é um assunto vazio de conteúdo.
Ainda sem missões... ou programas de exploração do espaço ou cinturas de poderosos satélites.
Que querem que aconteça em Marte ou em Vénus?

(É o que acontece quando trabalhamos às onze e meia da noite e não há notícias. As minhas desculpas ao Carlos Pessoa por me ter apropriado de palavras que escreveu na última página do Público de hoje, e ter transformado frases em meias-frases, embrulhando-as neste dadaísmo serôdio)


De prata

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A minha experiência com os transportes públicos teve hoje novos desenvolvimentos. Uma nova página deste folhetim.
Vim para a rádio de comboio. Um daqueles comboios modernos de dois pisos, climatizados
(32 graus cá fora)
e ultra confortáveis. Apanho-o na estação Roma-Areeiro, também ela nova, impecável, de um branco quase asséptico
(pelo menos para já),
passadeiras rolantes e nem um único funcionário. Apenas as máquinas que vendem os bilhetes
(pago 90 cêntimos para chegar até aqui, mais caro que o autocarro, que custa 50 cêntimos, mas mais rápido e mais confortável)
e uns ecrãs com as informações das paragens que o comboio faz até Alverca.
(Um senão: antes de chegar à linha, a informação é escassa)
Desço em Braço de Prata.
Digam lá que não é um nome bonito de mais para um local tão feio como este...



Lembro-me de dormir na tenda dos meus pais, no campismo, atravessada à cabeceira deles, com a “naná”
(a almofada rectangular, aos quadradinhos azuis e brancos, da qual me tornei inseparável durante muitos anos).
A “naná” ainda anda lá por casa, hoje vazia. Entretanto, a esponja foi-se. Ficou-se a memória.


memoria de formiga V

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É provavelmente a memória mais antiga que tenho.
Nem sequer consigo descrever a situação com o mínimo de rigor.
A minha mãe, o meu pai, eu ao colo da minha mãe.
Em pé, à porta de casa de alguém que íamos visitar.
A tocar à campaínha, à espera que essa pessoa abrisse a porta.
A minha irmã ainda não era nascida.



Estavamos no quarto, eu e a minha irmã
(na altura era o “nosso quarto”, porque ali dormiamos as duas)
numa brincadeira qualquer.
Provavelmente às “escolinhas”
(como lhe chamávamos)
que era a brincadeira mais frequente.
Alcatifa azul no chão, as duas camas lado a lado, com a cabeceira comum e a mesinha no meio, os cortinados azuis dos cisnes, o papel de parede também com uns motivos azuis.
Estavamos viradas para a porta da varanda
(amarei sempre aquela varanda virada para o mar),
de costas para a porta da entrada.
Brincávamos, completamente absorvidas por aquela fantasia suspensa num quadro de giz, quando, de repente, damos um salto, assutadas com o barulho das palmas e a emoção de pai verbalizada na forma mais exótica que lhe poderia ter surgido naquele momento:
“Batatas! Batatas! Batatas!”
Estava ali há tanto tempo, encostado aos pés da cama da minha irmã, a olhar para nós como o Lewis Carrol terá olhado para a Alice no país das maravilhas.
Esta lembrança, hoje, comove-me.



Foi num dia em que eu estava com uma grande dor de dentes. Não sei que idade teria, mas era pequena. Talvez uns 7 ou 8 anos.
Recordo-me de estar enrolada no sofá, disparando gemidos de dor para reclamar a atenção e o mimo da minha mãe.
Mas foi o meu pai que descobriu – é a palavra correcta, descobriu, não inventou – a fórmula mágica para me fazer esquecer da dor de dentes.
Na televisão, um grupo de miúdos, que deviam ser pouco mais velhos do que eu era, cantavam, em frente a uma réplica da avioneta do Gago Coutinho
(seria do Gago Coutinho?)
“Bárbara! Bárbara!”
Do resto, já não me lembro ao certo, mas, hoje em dia, quando me lembro desta música, tendo a reproduzi-la introduzindo uns versos que falam de “horizontes perdidos a milénios daqui”.
Da letra, pouco ou nada ficou, a não ser mesmo o “Bárbara”, mas a música, a melodia, recordo-a com um mínimo de rigor.
O que é mais curioso nesta história é que eu acredito que só ouvi esta música uma única vez na vida. Naquela tarde da dor de dentes, uma dor de dentes que, por isso, nunca mais esqueço.
Que música era esta? Quem a cantava?



Um poema sobre o fogo. Que, se não estou enganada, vinha dos livros da escola primária. Ou talvez mesmo dantes. Talvez tenha sido um poema que o meu pai me leu, num dos livros que me ofereciam ainda antes de saber ler.
Só me lembro que o tema era o fogo, mas lembro-me desse poema com alguma frequência, à custa dum comentário que o meu pai fez quando mo leu:
“Isto é muito filosófico!”
Disse-o agradavelmente surpreendido, pareceu-me. E eu fiquei contente.
Que poema era esse? Quem o teria escrito?
Era apenas um poema para crianças…


memoria de formiga I

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Há momentos da minha infância a que me agarrei de forma dilacerante.
Mais do que momentos, são elementos.
O filme dos quadrados a preto e branco. Salas vazias com personagens angustiadas, uma expressão de cenas que me deixava estranhamente deprimida.
Não me lembro que idade tinha. Talvez uns 4 ou 5 anos.
Que filme era esse? Os meus pais tinham-no gravado numa cassete de vídeo, registo da vaga de produção fílmica australiana do início da década de 80.
Será que algum dia conseguirei encontrá-lo?


Ano novo, vida nova

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Ainda tenho a sensação de que o ano começa nesta altura e não em Janeiro. Fiquei marcada pelo prazer sensorial de comprar cadernos novos, a cheirar a branco, canetas e marcadores e olhar para o novo ano lectivo como se de uma nova estapa da vida se tratasse.
A máxima “Ano novo, vida nova” dita pela altura da passagem de ano não me diz muito. É nesta altura que me apetece afirmá-la.
Ainda para mais, porque em matéria de trabalho isso se está a passar.
Foi-nos hoje apresentada a nova grelha da TSF, numa reunião com a direcção. Senti-me como quem está a conferir que novas disciplinas vai ter, como quem fica a conhecer o horário para o próximo ano lectivo e os novos professores.
Por isso, nesta altura, apetece-me fazer votos de intenções para o próximo ano:
- trabalhar mais e mais organizadamente (as novas funções promovem isso!)
- inscrever-me num ginásio (já fui saber horários e preços (meu deus!))
- arranjar um segundo trabalho (na tentativa de estabilizar o orçamento)
- utilizar mais os transportes públicos e menos o carro (hoje já fui para a rádio de autocarro)


A senhora-que-se-desorienta-no-metro

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Já estou como o Paul Auster: há coincidências inabaláveis, que não conseguimos deixar que nos passem ao lado.
É melhor começar pelo início. Nem todas as histórias precisam de começar pelo início, mas esta sim.
Hoje passei o dia bastante mal-disposta. Com dores de cabeça, tonturas e pouco equilíbrio. Tinha dificuldade em caminhar e andava muito devagar, descia as escadas agarrada ao corrimão, de vez em quando tinha mesmo necessidade de parar para não cair.
Estava eu a sair do metro, na estação da Baixa-Chiado, nesta lentidão de pensar que primeiro vai um pé e só depois vai o outro, quando fico meio baralhada sem saber se queria ir para a esquerda ou para a direita.
Parei e, uns instantes de indecisão depois, percebi que o meu destino, o Largo do Chiado, era para a esquerda, já que, se tomasse a direita, ia parar à Rua do Ouro.
Estou a chegar àquelas intermináveis escadas rolantes, quando vem ter comigo uma senhora, aí na casa dos cinquenta, bonita e bem vestida:
“Para onde quer ir?”
“Para o Largo do Chiado. Estava baralhada, mas já percebi que estou no caminho certo”, respondo-lhe.
“Sim, de facto está. É que reparei em si e parecia que estava a olhar para mim própria. O metro é uma coisa fantástica, mas sempre que saio, em qualquer estação, tenho que parar para me orientar e perceber para onde quero ir”.
Subimos os cinco ou seis lanços de escadas a conversar. A senhora – de quem não fiquei sequer a saber o nome – era muito simpática. Esteve a contar-me como uma vez se perdeu ao tentar chegar ao Campo Pequeno.
“Aliás, toda aquela zona das avenidas novas e da Duque de Loulé é uma confusão para mim”, rematou.
Quando chegámos ao Largo do Chiado, despediu-se de mim aos pés do Pessoa:
“Tive muito prazer, até à vista, tudo de bom”
“O prazer foi meu, adeus, obrigada”.
Passei a tarde com a Rita, entre o Adamastor, o Chiado e as Limonadas da Rua Nova do Almada. De volta para casa, apanhei o metro no Cais do Sodré e depois saí no Areeiro.
Estou quase a chegar a casa, quando páro no cruzamento entre a João XXI e a Avenida de Roma, á espera que o semáforo dos peões passe a verde.
Olho para o lado e ela estava ali, a senhora-que-se-desorienta-no-metro.
Não lhe falei, porque ela estava a conversar com outra pessoa e não me apeteceu interromper. Não sei se me viu, mas há coincidências inabaláveis.
Há poucas horas - depois de a ter conhecido, antes de a ter reencontrado – eu tinha estado a folhear as “Experiências com a Verdade” do Paul Auster.


ERMELINDA, A MULHER DOS FIGOS

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Tinha tido uma discussão e precisava de esfriar a cabeça.
Meti-me pela João XXI acima, em direcção ao Areeiro, levei apenas as chaves de casa.
Caminhava de mãos nos bolsos, cara fechada, quando fui abordada pela D. Ermelinda
(“Se não se lembrar do nome, depois pode pedir para falar com a jardineira”),
que trazia na mão um enorme cesto de palhinha cheio até cima de figos.
“Quer comprar? São muito bons…”
Mostro-lhe as mãos vazias:
“Gostava muito, mas não trouxe dinheiro.”
“Ah, mas pode provar um, se quiser.”
Depois de um breve instante de indecisão,
(afinal, não os ia comprar)
decido aceitar. Eram realmente deliciosos, uns figos doces de mel.
“Quanto custa?”
“Um euro e meio, a dúzia.”
“Costuma andar por aqui? Pode ser que a encontre num dia em que traga a carteira…”
“Então porque é que não leva? Depois paga.”
“Como é que pago? Eu não tenho a certeza que a volto a encontrar.”
“Não faz mal, vai ali à igreja de S. João de Deus, vai à sala 16 ou ao bar, e diz que é para deixar o dinheiro à Ermelinda, ou à jardineira, se não se lembrar do nome. Também pode dizer que é para a mulher dos figos.”
Estive vai-não-vai para aceitar, mas não me apeteceu que a senhora duvidasse da minha honestidade por um segundo que fosse.
(Será que ela alguma vez duvidaria?)
Por isso, ocorreu-me uma ideia melhor:
“Onde é que vai estar daqui a um quarto de hora?”
“Vou estar lá, em frente à igreja, a vender os figos.”
É óbvio que, um quarto de hora depois, também eu estava em frente à igreja, na Praça de Londres, com a carteira na mão, com um euro e meio para a D. Ermelinda, a jardineira, a mulher dos figos.
Lisboa, 24 de Agosto de 2003. Ainda encontramos pessoas assim nesta cidade.


Fui 'a Barata

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Vou poucas vezes à Livraria Barata. Melhor dizendo, tenho ido poucas vezes à Livraria Barata. Vou passar a ir mais, não especificamente para comprar, mas para me dar ganas de ler os livros que tenho em casa à espera de serem lidos.
A Barata é uma excelente livraria. Sinto uma espécie de prazer sensual quando lá estou. Não sou pessoa de ficar a ler alongadamente cada capa e contracapa, mas a Barata tem um cheiro que nem todas as livrarias têm. Um cheiro a livros que dá vontade de ler, um cheiro que dá vontade de levar para casa. Um cheiro que nos entra pelas narinas e que nós aspiramos com gulodice. Como quem snifa coca.
E depois tem uma música ambiente agradável. De vez em quando, ouvimos umas notas soltas de música clássica. Não sei donde possam vir. De qualquer forma, são notas soltas que tentamos agarrar no ar, enquanto lá estamos.
Normalmente, os meus passeios na Barata não são muito demorados. Fico rapidamente com vontade de correr para casa e sorver as palavras que estão à espera de saltar dos livros que aqui tenho.
Por isso, uso a Barata como um estimulante.
Pelo facto, apresento as minhas desculpas à referida Livraria.


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Tenta��o de acentuar.


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Porque é que estes animais se lembraram de nos oferecer uma nova versão do blogger que não aceita acentos? Murc�es!


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No quinto dos imp�rios, fiquei a saber que o ministro Bag?o F�lix se citou a ele pr?prio, na SIC Not?cias. Vale a pena registar:
�A felicidade n?o est? em ter mais, mas em querer menos�
Antes de mais, parece-me que o sr. ministro acha que j? somos todos ricos. Que temos todos dinheiro para comprar carne, iogurtes, fraldas para os putos, um boneco no Natal.
J? conheci gente que n?o tem dinheiro para isso, sr. ministro.
Depois, parece-me que o sr. ministro est? a tentar convencer-nos a todos da verdade desta frase, mascarando-a.
Parece-me que o sr. ministro est? a querer dizer-nos, antes:
�A felicidade n?o est? em querer mais, mas em ter menos�.
A direita tem sempre formas subtis de eufemizar as coisas.

H? uns tempos que n?o gasto dinheiro em rigorosamente mais nada a n?o ser em comida. Porque n?o o tenho, claro. Porque o sal?rio n?o chega at� ao fim do m�s, como acontece com grande parte dos portugueses.
Evito entrar em toda e qualquer loja, mesmo nos hipermercados, para n?o cair em tenta�?o. Opto pelo ACSantos, em frente a minha casa, e pela frutaria da esquina da rua de cima.
Nada de FNAC, nada de Barata, nada de Habitat, nada de lojas de roupa...

At� deixei de fumar,
(? um anti-consumismo imposto que at� me d? mais sa?de!)
porque, a fazer as contas por baixo, 2 euros por dia, d? 60 euros ao fim do m�s, d? 720 euros ao fim do ano, d? mais do que o meu ordenado!

PACK-SHOT (com voz de an?ncio publicit?rio):
Tenho-me sentido muito mais feliz com esta conten�?o!!!


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Ainda em rela��o ao S. Jo�o do Porto, apenas uma nota.
Ouvi o Rui Rio dizer que o fogo de Gaia tinha sido melhor que o fogo do Porto.
Importante exerc�cio de democracia.

Gostava que Porto e Gaia passassem a ser Portogaia.
Tal como Buda e Peste se juntaram em Budapeste.
Era um enorme avan�o economico-social.
Podemos propor um referendo. Pensem nisso.


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AS P�ROLAS DA PAULA

Ontem, a Paula Bobonne (ou ser� Bobbone?) foi ao Herman TIC, perd�o, ao Herman SIC.
Lembrava a tutora dos nossos VIP�s que, sim, de facto, tinha dito uma vez, numa entrevista, que, pois, Portugal tem um jet 7 �semi-pimba�.
(Eu acho que � completamente pimba e que at� os pimbas t�m mais pinta que o jet 7 semi-pimba, mas o que eu acho n�o interessa)
- Pronto, eu disse, � verdade � confessava a nossa Paula semi-envergonhada
Mas apressou-se rapidamente a esclarecer perante os senhores telespectadores, sejam bem vindos, que a culpa n�o tinha sido dela:
- Os jornalistas apertam comigo e depois saem-me coisas destas. N�o me controlo.
E os senhores telespectadores, n�o saiam do seu lugar, muito mais descansados, suspiraram de al�vio.
Mais adiante, a nossa Paula voltava a atacar:
- Eu agora sou um bocado conhecida� n�o, mas sou mesmo! �s vezes, at� acho que estou um bocado com Alzheimer. As pessoas passam por mim e cumprimentam-me e eu penso: �Estas pessoas conhecem-me e eu n�o as conhe�o de lado nenhum. Que horror!�
E remata:
- Mas t�-se bem!

- T�-se, Paula, t�-se!


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Estou h� em tr�s anos em Lisboa, a entregar metade do meu sal�rio ao mesmo homem: o senhorio!


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Um blog que se preze n�o pode, hoje, deixar de fazer refer�ncia ao destaque do P�blico sobre Blogues, escrito pela Maria Jos� Oliveira, -a-minha-rica-menina-a-quem-aproveito-para-desejar-muitas-felicidades-e-muita-saudinha-e-tudo-de-bom-que-ela-�-muito-boa-mo�a-e-o-orgulho-dos-seus-pais-e-a-alegria-de-uma-crian�a.
As fotos s�o assinadas por David Clifford, que deve ser um americano qualquer que se lembrou de vir trabalhar para Portugal.


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S. Jo�o no Porto.
Dum lado, o alho p�rro Lu�s Filipe Menezes. Do outro lado, o martelinho de borracha Rui Rio.
Diz o Pedro Cruz, na SIC, que os dois presidentes de C�mara t�m feito, um ao outro, �marca��o cerrada, hora a hora, minuto a minuto�.
O fogo de artif�cio, no Porto, come�a � meia noite; em Gaia, uns minutos depois.
Que sentido � que isto faz? Que politicazinha fazem estes politicozinhos neste Portugalzinho?
Apesar de tudo, tenho pena de n�o estar no S. Jo�o do meu Porto (que agora se desconfia ser ped�filo, porque anda sempre com o puto ao colo).


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Acho que vou fazer um trabalho jornal�stico aprofundado tendo como ponto de partida a seguinte pergunta:
"Como arranja tempo para actualizar o seu blog, sendo ele t�o bem recheado?".
E depois: "N�o tem trabalho? N�o tem fam�lia? N�o tem amigos? Precisa de desabafar?".


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O que se segue � o registo que, durante a viagem, fui fazendo no Moleskine.
Espero ainda acrescentar-lhe mais pormenores que escaparam � caneta, mas que ainda est�o na cabe�a.
Fica a faltar o registo de Barcelona e de Berlim, que ficam � espera de nova oportunidade.


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VIAGEM - PARTE I

Bolonha, 01.06.03

Da varanda do Hotel Cristallo, vejo as arcadas de um edif�cio, � direita
(Bolonha � feita de edif�cios com arcadas)
um pr�dio, em frente, escondido pelas �rvores, em tons de rosa.
Uma das janelas do �ltimo andar tem as luzes acesas. Consigo ver uma estante com livros. Isso d�-me vontade de escrever. Ainda n�o tinha escrito desde que come��mos a viagem.

In�cio de noite. 35 graus. And�mos em Bolonha � procura de Umberto Eco, mas n�o o vimos.
Definitivamente, Bolonha � uma cidade que d� vontade de escrever, mais do que descrever.
De certa forma, acho que consegui compreender a intrus�o herm�tica do Eco nos livros da Hist�ria Medieval para depois criar Baudolinos ou monges gordos, desdentados, disformes, dementes.

Bolonha �, pois, deliciosa. Car�ssima, estupidamente cara, para n�s.
Jant�mos na Buca de S. Petronio, justamente em frente � Bas�lica de S. Petronio.
Antipasti: queijo parmes�o com mortadela.
Primi piatti: lasagni verdi
Secondi piatti: cotoletta a la S. Petronio,
um copo de vinho branco, mezzo litro d�acque minerali.
Pag�mos 34,5 euros, sendo que 6 euros s�o do coperto.
- Scuza, que ei il coperto?
- O uso da toalha, dos guardanapos, dos talheres, dos copos�

***

Floren�a estava absolutamente imposs�vel, inundada
(literalmente inundada)
por turistas.
Uma feira, uma romaria, um s�o jo�o, um desespero!
Quase n�o consegui ver Floren�a, porque as fachadas dos edif�cios estavam escondidas atr�s dos turistas. O Duomo, a capela dos Medici, o largo dos Of�cios.
Ingl�s, americano, espanhol, franc�s, japon�s, turista de todo o lado, por todo o lado.
Hoteis completamente esgotados. Conseguimos arranjar um hotel j� mais afastado do centro por 90 euros!
Na noite anterior, t�nhamos dormido no carro�

***

C�te d�Azur. Riviera francesa completamente esgotada.
St. Tropez s�o casar�es, glamour e muito dinheiro. Homens e mulheres ricamente vestidos, j�ias na mesma propor��o, ridiculamente bronzeados em contraste com os cabelos pintados de loiro, quase branco, estilo Lili Cane�as. Uma esp�cie de Vilamoura, mas com muito mais dinheiro.
Ali�s, nunca tinha visto tantos Ferrari num t�o curto espa�o de tempo, como na C�te d�Azur.

J� � noite, ainda andamos � procura de s�tio para dormir e St. Tropez est� esgotado.
Seguimos para St. Maxime e St. Raphael. Esgotados.
Estrada para Cannes. Sinuosa. Curva, contra-curva. Cansativa. S�o duas da manh�. Estamos esgotados. Viemos de Barcelona. Encostamos na estrada. Dormimos no carro.

Ao tomar o pequeno-almo�o em Cannes, na manh� seguinte, percebemos porque � que est� tudo esgotado. H� Grande Pr�mio de F�rmula 1 no M�naco!
Seguimos para Nice, que � bem simp�tica. Muito mais engra�ado que Cannes
(Cannes n�o tem nada de especial, para al�m do Festival de Cinema),
muito mais interessante que St. Tropez.
Depois de uma noite dormida no carro, precisamos de um banho de mar para acordar.
Um banho de mar
(un bain de m�r)
na C�te d�Azur!
A seguir a Nice, numa praia de seixos, um cobertor de pedras polidas, um banho de mar r�pido, mas eficaz, dez minutos ao sol, uma mini-colec��o de seixos para levar para Lisboa e estamos prontos a seguir viagem.
Paramos para comer �un sandwich de poulet� antes de chegar ao M�naco.

***

Foi emocionante, ao entrar no M�naco, ouvir os gritos dos motores de F1.
O M�naco estava totalmente preenchido com o circo da F1, mas, ainda assim, com o tr�nsito devidamente organizado.
Conseguimos arranjar lugar para o carro num parque de estacionamento, mas j� n�o cheg�mos a tempo de ver os carros. No entanto, ouvimo-los!

***

O M�naco � realmente bonito, mas Ljubjana � m�gica!
E � sobre ela que tenho vontade de escrever, porque � numa mesa de caf� sobre o rio Ljubjanica que estamos.
Uma mesa alta, que fica ao n�vel do pared�o do rio, um caf� que sabe a caf�, um copo de �gua com uma pedra de gelo. Tudo isto debaixo de um chor�o, embora j� n�o precisemos da sombra. Come�a a anoitecer e a tarde est� fria. Depois do calor de Barcelona, C�te d�Azur, Floren�a e Bolonha, entr�mos na Eslov�nia com chuva torrencial, trovoada intensa e neve!!!

Neste momento, parece que estou num filme. Ljubjana � mesmo linda!
Parece uma cidade de bonecas, um cen�rio de um filme. Casinhas perfeitas alinhadas nas margens do rio, o castelo l� em cima, envolto em verde, os edif�cios, fant�sticos, deixam-nos boquiabertos, as esplanadas s�o viciantes.
O Let�s Go Europe descreve a cidade como uma mistura entre Paris dos anos 20 e Praga dos anos 90. Parece-me uma boa descri��o.

Volt�mos a ter azar nos hoteis. Os baratos est�o sempre completos. Fomos obrigados a ficar num de 110 euros, que, como se calcula, tem mais luxo do que aquilo que precisamos.

H� bicicletas e patins em linha a passar. Vou fechar o caderno, porque vale a pena olhar � volta.

Viemos at� ao restaurante Sokol guiados pelo Let�s Go. Para provar a gastronomia eslovena. � pena eu estar praticamente sem fome.
Pedi uma salada Sobska, porque era a �nica com um nome verdadeiramente estranho. O D. pediu uma mistura de grelhados de carnes.
Quando chega a comida, a minha salada � praticamente cebola com pimento e um bocadinho de tomate!
A mistura de grelhados tem um elemento estranho, que n�o conseguimos identificar.
Bebemos vinho tinto. Cheira bem, sabe bem, faz bem. Muito frutado.
Nas outras mesas, bebe-se cerveja.
O empregado acaba de trazer um p�o entran�ado, quente, que cheira deliciosamente a alho.

Ljubjana, 03.06.03

Ao acordar, Ljubjana j� est� cheia de estudantes de desenho que se sentam nas mesas dos caf�s em frente ao rio, de bloco e l�pis na m�o, ou se espalham pela ponte, debruada a flores vermelhas.
Sentamo-nos numa mesa duma esplanada, no meio dos estudantes.
V�o passando bicicletas com cestas em palhinha.
Depois subimos ao castelo para ver Ljubjana l� de cima. Est� calor. A subida � penosa, mas vale a pena. D� vontade de viver aqui. Uma cerveja e uma �gua fresca, quando chegamos l� a cima, na esplanada do castelo.

Bratislava, 04.06.03

Sa�mos ontem da Eslov�nia, estamos hoje na Eslov�quia. Pass�mos por Viena, mas n�o par�mos. A �ustria � cara e temos mais curiosidade em visitar este os pa�ses que est�o prontos a entrar na Uni�o Europeia. Ainda hoje, vamos seguir para Praga.
Para j�, tomamos caf� na pra�a central da parte velha da cidade. A pra�a chama-se Hlavn� N�mestie.
A parte velha da cidade �, de facto, bonita. Mas ontem, quando cheg�mos, senti um certo desconforto, porque o resto da cidade � bastante desagrad�vel, feio at�.
No entanto, esta parte antiga � grande. S�o v�rias ruas de casinhas bem conservadas, pintadas com v�rias cores e sempre muitas esplanadas, em todas as ruas.
Fic�mos a dormir no hotel Kjev, por 68 euros, com pequeno-almo�o e estacionamento para o carro inclu�dos.
O hotel � enorme, com 15 andares. Dever� ter sido um hotel de 5 estrelas, no tempo comunista, mas agora � s� de 3.
� um edif�cio austero, com uma decora��o r�gida, ao estilo comunista. Uma parede de madeira, as outras paredes brancas, as camas feitas com len��is brancos, um espelho redondo, um r�dio do tempo da guerra fria. A casa de banho, j� bastante degradada, aparentava uma limpeza n�o muito exigente.

Budapeste, 04.06.03

Longo dia, longa hist�ria. Muito cansa�o.

Volto ao ponto onde tinha ficado, para melhor me orientar.
Parei de escrever para espreitar umas barraquinhas de artesanato, na pra�a Hlavn�, em Bratislava, onde acab�mos por comprar o Slovensko
(o D acabou de lhe dar o nome),
um boneco de pano, com umas pernas muito compridas, que se enrolam uma na outra, olhos esbugalhaods e um grande nariz de cenoura.
Seguimos depois para a Rep�blica Checa, com a inten��o de ir dormir a Praga, um dos objectivos desta viagem. Mas fomos barrados na fronteira. N�o nos deixaram entrar, porque o D precisava de visto, uma vez que tem passaporte canadiano. Obrigaram-nos, portanto, a voltar para tr�s, a fim de tratar do visto em Bratislava, que, felizmente, ficava a pouca dist�ncia, cerca de 100 km.
Chegados a Bratislava, volt�mos a perder-nos, porque a cidade � muito confusa e as indica��es s�o muito m�s, at� que um carro com 4 ou 5 pol�cias que estavam a comer gelados e que n�o falavam uma �nica palavra de ingl�s
(ali�s, nestes pa�ses da Europa de Leste, os pol�cias n�o falam ingl�s. Chego a desconfiar que em Portugal, tamb�m n�o)
at� que o carro da pol�cia nos guiou at� � Embaixada da Rep�blica Checa.
Como calcul�vamos, a Embaixada j� estava fechada
(fechava �s 11h da manh�!)
e, pior, o visto demorava 5 dias a estar pronto.
Grande desatino do D. Mudan�a de planos

***

Seguimos com destino a Berlim. Ora, tendo a fronteira checa fechada, precisavamos de dar a volta pela �ustria, ir a Munique e depois, ent�o, subir at� Berlim.
Assim, apanh�mos a auto-estrada em direc��o a Viena, mas quando surgiu uma placa a dizer BUDAPESTE decidimos, num flash, mudar de direc��o.

E aqui estamos, nesta cidade colossal, gigantesca, um aut�ntico monumento feito de v�rios outros monumentos
(�cada edif�cio � um monumento�, dizia o D)
a jantar no Fat�l, um dos restaurantes aconselhados pelo Let�s Go. �Extremamente popular. Comida tipicamente h�ngara, servida em grandes doses. Pratos guarnecidos cuidadosamente�. Tudo verdade.
Comemos goulash e couve recheada com carne. Pedimos um prato diferente para cada um, como � h�bito, mas o que nos foi servido dava para, pelo menos, 4 pessoas.
Fic�mos num hostal que tamb�m vem referido no guia, o Marco Polo, tipo pousada da juventude, camas separadas, mas muito limpo. Pag�mos cerca de 15 mil forints (cerca de 60 euros). Continua a ser caro, mas, ainda assim, � o mais barato em que fic�mos desde o in�cio da viagem (fora as noites dormidas em casa da Mariana Bahia, em Barcelona e a noite que pass�mos no carro, em Cannes).

Berlim, 08.06.03

Finalmente, sent�mo-nos para beber algo fresco. Um frapp� de baunilha, outro de pistachio, no caf� Boma.
Berlim est� insuportavelmente quente. Derreto ao sol mais rapidamente que um gelado, n�o consigo mexer-me, n�o consigo escrever. Agora fa�o um esfor�o para isso, porque apercebo-me de que se n�o escrevo, h� pormenores importantes de que nunca mais hei-de lembrar-me.
A minha mem�ria � p�ssima.

Berlim � um mundo. Por isso, e por outras raz�es, fica para outro cap�tulo�


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Agora o que est? a dar � fazer blogs de servi�o p?blico, t? a ver? Assim tipo blogs que pensem a sociedade, t? a ver? Tipo pensamentos pol?ticos. Tipo pensamentos intelectuais. Tipo pensamento religiosos. Tipo isso, t? a ver? Tipo essas coisas s?o mesmo importantes.
? que, hoje em dia, j? n?o � in um tipo estar informado. Mesmo que seja bem informado. Hoje em dia, o que � in � saber o que � que os bloguers pensam sobre os assuntos. E quem n?o sabe o que � que eles andam a comentar est? fora, t? completamente out, t? a ver?
? que esses senhores, bem aventurados sejam, andam mesmo a fazer servi�o p?blico. N?s s? temos que lhes agradecer. Ali?s, at� dev?amos pagar-lhes! Ah, pois! Quem � que precisa da RTP, ou da RDP, ou da Ag�ncia Lusa, quando h? blogs a trabalharem desta maneira? Ah, pois! Na factura da EDP, devia constar uma al?nea chamada "taxa de servi�o p?blico da blogosfera". Ent?o esses senhores andam a queimar as pestanas para n?s andarmos in, completamente integrados na sociedade e nas suas diversas vertentes e opini?es e simpatias pol?ticas e ningu�m lhes paga??? NINGU?M LHES PAGA???

Face a in?meros pedidos que o magn?rio tem recebido, vou ver se escrevo qualquer coisa sobre a nossa viagem.
Embora pudesse escrever outras coisas muit?ssimo mais interessantes, muito mais ?teis � sociedade, muito mais servi�o p?blico.
Ficavam mais bem aviados, garanto-vos.
At� podia citar Tosltoi!!!


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Devo confessar que depois de ter chegado de f�rias e ter andado a dar umas voltas pelo fant?stico mundo da blogosfera, fiquei sem grande vontade de continuar a descascar o magn?rio.
N?o me perguntem porqu�, n?o saberia responder, mas estou a sentir uma certa n?usea e n?o � do tabaco matinal. Nem estou gr?vida.
"A Coluna Infame" e os seus problemas existenciais fazem-me pensar nas criancinhas que morrem � fome (t?o democr?ticos, t?o democr?ticos, vai-se a ver...)
"O Abrupto" recorda-me, a cada palavra, a minhocada bruta e abrupta do JPP.
"O Gato Fedorento" e "Os Marretas" �s vezes at� est?o bem
Os mil e um blogs de jornalismo do Manuel Pinto e afins chegam-me a fazer pensar se a Terra ser? mesmo redonda (o jornalismo n?o � uma coisa s�ria neste pa?s)
"O Meu Pipi" � genial, pronto.
E agora vou deprimir-me um bocadinho mais com esta gente que tem nomes-bem na pra�a
(A prop?sito, uma nota final: a partir de agora, s? aceito ter amigos que lan�arem livros na Feira do Livro de Lx e me avisarem atrav�s do seu pr?prio blog)

Desculpem-me, mas este pa?s ultrapassa-me!

P.S. Rui, vale a pena perceber que, afinal, afinal, bem vistas as coisas, n?o h? assim tantas raz?es para lamentar o desaparecimento de algumas p�rolas reaccion?rias na nova pra�a cibern?utica.

Estou esmagada.


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A Alice anda desanimada. J� n�o v� o pol�tico h� dois dias.
De manh�, ele est� no partido; depois, tem que ir almo�ar com o grupo parlamentar; � tarde, � preciso voltar ao partido para preparar uma ac��o qualquer; n�o pode ir jantar, porque h� uma iniciativa e indicaram-lhe que era absolutamente imprescind�vel que ele n�o faltasse; � noite, d� aulas.
Mas a Alice n�o desiste.
Passam horas ao telefone, quais adolescentes fervendo em paix�o, e andam a sonhar com um fim-de-semana eremita. Longe de tudo e de todos, perto do mar... e os passarinhos a cantar e a brisa doce do pren�ncio do Ver�o e s� o som do folhear lento do livro
(s�o dois leitores �vidos)
e a �gua t�nica com a rodelinha de lim�o e o basset-hound a correr trapalh�o
(tem que haver um c�o na hist�ria)
e sexo!

- Acho que deve ser maravilhoso!, suspirou
- O qu�?, (eu estava distra�da)
- Sexo com ele.
- Ent�o? J� tens alguma amostra que te possa indicar esse resultado?, pergunto, com ar de cientista emp�rica do s�culo passado. Tento mostrar-me interessada.
- J�. Uma amostra, sim.
- E...
- Foi admir�vel!
- Pormenores...?
- Foi �ptimo, foi maravilhoso, s� isso.
- S� isso?
- Sim, do g�nero, entrega total, s� pensamos no que estamos a fazer, entramos noutro mundo.
- Esse teu pol�tico deve ser de esquerda.
- Porque � que dizes isso?
- Essa entrega, essa devo��o ao sexo, n�o estou a ver isso num cinzent�o de direita...

Risos da Alice.


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Mais entusiasmente que a hist�ria da M.J. � a hist�ria da Alice.
(Perdoa-me, M.J.)
Posso dizer o nome da Alice, porque nenhum dos frequentadores mais ass�duos do magn�rio a conhece.
Ela n�o sabe da exist�ncia deste blog.
Po isso, Alice (costumamos trat�-la com pron�ncia inglesa - "�lice"), sorry for talking in your back.

Tamb�m � jornalista, trabalha numa r�dio (n�o interessa dizer qual) e faz pol�tica.
No outro dia, chegou ao p� de mim com tom de confid�ncia: "Porque � que s� arranjo dramas na minha vida?"
Quem a conhece, costuma dizer: "Com os teus dramas posso eu bem".
Assim, respondi-lhe: "Com os teus dramas posso eu bem. O que � que se passa desta vez?"

- Parece que hoje em dia s� nos envolvemos com pessoas com quem nos cruzamos em trabalho- atirou.
- Sim, isso parece-me normal. Ou, como diriam as teenagers que estiveram em minha casa, "Ya, na boa". Tamb�m conheci o D. em trabalho, num com�cio do Ferro Rodrigues.
- Pois!!! L� est�! Com�cios, almo�os-conv�vios, sedes partid�rias, est�s a perceber?
- N�o, sinceramente n�o estou, ou melhor, n�o estou � a perceber onde queres chegar. Tamb�m � fot�grafo?
- N�o...
- Trabalha numa r�dio?
- N�o...
- OK, numa televis�o?
- N�o, idiota! Sedes partid�rias... sedes partid�rias....
- � assessor de imprensa dum pol�tico!!!???
- N�O!!! � pol�tico, porra!

(Sim... e agora, o que lhe respondo???)


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- Mum, passa-me a faca, please.
- Aqui n�o se diz faca. Faca aqui � uma asneira. Faz lembrar "fuck". Aqui, diz-se "knife".
- OK, OK, chega-me a knife, please.
- N�o queres milk?
- Mum, I don�t like milk. You should know that. C�mon.
- E porque � que n�o falas portugu�s, mo�o? Estou farta de vos dizer para falarem em portugu�s.

Hoje neva. Vancouver est� branca. Chamam a este branco felicidade?
Procuro essa "Gente Feliz com L�grimas".
Que destino? Que sonho? Que objectivo?
"(...) My house, My family, My car - e n�o lhe fora dif�cil acreditar na ess�ncia de uma deusa chamada Felicidade".

� esta felicidade, Jo�o de Melo. Esta Felicidade mai�scula, este possessivo mai�sculo.
At� um dia haver mai�sculas suficientes para voltar para a terra. A viagem de volta a Portugal com My everything na bagagem.

- Onde � que tu foste?
- Are you talking to me?
- Para falar de coisas s�rias, vamos falar em portugu�s.
- J� sabes que n�o podes beber.
- Haja respeito, que est� aqui o meu irm�o! Isto aqui no Canad�, elas � que mandam!

A mesa j� est� posta. Uma toalha com flores berrantes. Pratos de pirex branco, talheres e copos desencontrados.
- Somos gente humilde, mas gente s�ria. E tu pareces boa mo�a, menina. N�o fa�as cerim�nias, porque n�s tamb�m n�o somos gente de cerim�nias.
Olho � volta. Tento ser discreta, mas esbarro com bibelots que traem a minha discri��o.
- Quando conheceres a tia Lai, vais gostar dela. E ela tamb�m vai gostar de ti, pois! � uma j�ia duma pessoa! Uma santa! N�o faz mal a uma mosca, antes pelo contr�rio. S� quer o bem das pessoas. N�o tenho nenhuma raz�o de queixa. N�o � daquela gente que � interesseira, percebes? O que ela faz, faz de boa vontade, sem segundas inten��es.
- Mas o Ti Ant�nio j� n�o � assim!
- Pois n�o, coitado. Mas esse sempre foi um bocado atravessado. Eu agora at� j� � s� bom dia e boa tarde. N�o vale a pena.
- Tamb�m teve uma vida dura. Ele l� no Canad� estava mais calmo. Mas depois parece que o dinheiro lhe subiu � cabe�a.
- E � pena, que ele at� era um bom homem. Mas agora parece que s� tem olhos para o carro e para a casa, nem liga nenhuma � mulher. Coitada, essa � que parece uma escrava.
- At� virou os filhos contra ela, v�-se l� perceber. Isto h� cada um...

Tento virar a conversa. N�o conhe�o a tia Lai, nem o Ti Ant�nio, nem a mulher dele, "coitada".
Pergunto se gostavam de voltar ao Canad�, mas n�o consigo que a conversa se mantenha em solo neutro durante muito tempo. De novo, o inimigo.

- Tu n�o devias cortar tanto o cabelo, son. You look, n�o sei... n�o te fica l� muito bem.
- Queres mais chiken?
- E faz-me essa barba. Podias ter um look mais arranjadinho.

Apetece-me fumar um cigarro, mas aqui n�o se fuma.
- J� olhaste pela tua health? E o money que gastas nessa porcaria?

Vem a� o �lbum de fotografias.
- Olha eu aqui com o daddy. Nesta altura, estava muito magricelas. Eram outros tempos...
- Eram tempos em que era preciso muita coragem, you know...


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Comprei agora a Grande Reportagem de Maio, que aconselho vivamente.
Publica uma reportagem na Isl�ndia, com fotos de um tal D.C.
Algumas das fotos at� est�o engra�adas.

Mais a mais, se quiserem outras boas raz�es para comprar a revista, sempre t�m um inqu�rito-tipo � deputada da moda que tem deixado jornalistas, c�maras e fot�grafos do g�nero masculino de olhos em bico.
Sim, em bico, leram bem.
Pois a nossa Joana Amaral Dias, entre pierciengs e tatuagens, escolhe os kalkitos.

Ainda podem ler "Os dias em que Bagdad esperava", um texto de Paulo Camacho, esse grande rep�rter que acompanhou essa grande guerra, sem pestanejar.
Sen�o, leia-se: "Cada explos�o pode ser fatal, mesmo observada da varanda do Hotel Palestina".
Grande Hotel Palestina que tem umas belas dumas varandas!!!

Agora, num tom mais s�rio, estou mais esperan�ada com a reportagem "Coreia do Norte: o pr�ximo alvo dos EUA?".
Ainda n�o li, mas ando fascinada com a Coreia do Norte, confesso, especialmente depois de ter lido um bel�ssimo trabalho publicado no El Pa�s Semanal.

***

O D. j� foi buscar as fotos do Maestro E.M. e n�o est� descontente.
"Est�o mais focadas do que eu pensava".

Para a semana, destino: Gr�cia, 3 em 1...

***

A situa��o da M.J. pode, eventualmente, vir a complicar-se.
Pediram-lhe para fazer mais Panados Secos!


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Antes de mais, as minhas desculpas �ntimas ao Jo�o (get it?).

***

Ontem, l� estivemos em for�a na manife da CGTP. Desta vez, com sol.
Logo ao in�cio, tivemos o impar�vel Ferro Rodrigues a cumprimentar o Carvalho da Silva com ar de quem quer despachar a coisa.
"Ent�o o que � que vai dizer hoje, p�? ... � que eu n�o posso ficar c� at� ao fim, p�!"
"Vou dizer que isto est� mau, que � preciso uma pol�tica diferente e n�o este pacote laboral cheio de inconstitucionalidades que nos querem impingir, que os trabalhadores n�o podem aceit..."
"Mas tamb�m � preciso fazer o discurso da afirma��o", corta o Ferro, incisivo, para despachar a coisa. "N�o nos podemos s� queixar".
E o Carvalho da Silva: "Pois n�o, pois n�o. N�o vamos fazer o discurso da desgra�a, mas vamos fazer as den�ncias necess�rias".
"Sim e n�o h� d�vida que � preciso mudar. Eu ali�s, at� espero que o primeiro-ministro -a quem aproveito para desejar r�pidas melhoras da constipa��o- aproveite bem este dia 1 de Maio para pensar e reflectir".

Lindo!

***

Foi �ptimo este 1 de Maio.
Apaixonei-me novamente pelo D. Foi a primeira vez que nos cruz�mos em servi�o desde que namoramos!!!
Estava fant�stico em cima do palco, ora foca Carvalho da Silva pela direita, ora foca Carvalho da Silva pela esquerda,
(o cigarro sempre pendurado na m�o direita)
ora foca por tr�s, ora foca pela frente, ora foca o cravo vermelho que n�o p�ra quieto
(o raio do cravo, que faz hoje a primeira p�gina do jornal)
ora foca os velhos reformados que batiam palmas sem sequer perceberem o que tinha sido dito, apesar do Carvalho da Silva ter pedido um aumento intercalar das pens�es m�nimas.
(Sim, � verdade, nem eu me apercebi disso, penit�ncia de rep�rter).

***

Precisamos de contratar uma senhora que nos venha limpar a casa uma vez por semana.
Mas uma empregada a dias ganha mais � hora do que eu!!!


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Depois de uma noite de verdadeiro servi�o p�blico no Purex, com Lara Soft e Marta Hari, preparo-me para mais uma manife. S� espero que n�o chova.
O D. tinha que ir fotografar a Orquestra Sinf�nica de Berlim �s 10 da manh�, mas chegou l� �s 11h (pudera!) e j� n�o o deixaram entrar.

***

Ontem � noite, o Rui, com voz-excitada-provocada-pelo-discosound-dos-anos-80 berrou
"J� tenho o meu pr�prio bloooooooog!!!!!"
"Como � que se chama?"
"Aaahhhh, isso n�o diiiiiiiiigo!!!!!"
Blog para ti tamb�m, Rui, que agora est�s a ler o magn�rio, mas n�o queres que ningu�m saiba das tuas est�rias-alternativas-urbano-fashion em Lisboa.
*Blooog*

***

Andam a passar-se umas coisas fant�sticas com a M.J., mas n�o posso escrev�-las aqui... pelo menos para j�.


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O D. telefonou hoje de Roma.
Nem deu para perguntar como estava o tempo.
A shot-session tinha corrido bem, mas para ele nunca corre bem. "S� depois de ver as fotos".
N�o fez tantos filmes como queria e estava meio abalado, porque a sess�o tinha sido toda filmada para o making of.
Tinha pedido pouca gente, mas encheram-lhe o est�dio de gente.

Depois, l� consegui arrancar-lhe a cereja que lhe ado�ava a garganta.
De acordo com o manager do Maestro E.M., o D. foi "o �nico fot�grafo do Mundo" que conseguiu criar empatia com o Maestro e fazer uma shot-session de 1 hora!!!
(Para o D. "S�" 1 hora...)
At� ent�o, em 70 e tal anos de vida do mestre Maestro, as sess�es ficavam-se pelos 5 minutos
(mais coisa menos coisa)
Quem � que faz o qu� em 5 minutos?

Amanh� vou esperar o-�nico-fot�grafo-do-Mundo ao aeroporto. Volta depressa, bloody man.


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Liberdade � chuva.
Tive que ir fazer a cobertura do cortejo do 25 de Abril e n�o parou de chover.
E o microfone e o MD e o bloco de notas e a caneta e o telem�vel e s� chovia...
"Menina, se n�o fosse eu, n�o tinha havido 25 de Abril!"
"Ent�o?"
"Fui eu que dei os cravos vermelhos aos capit�es. Se n�o fosse eu, n�o havia cravos e n�o havia revolu��o!"
Odeio guarda-chuvas.
"Ent�o n�o h� m�sica? Seus burgueses, isto dantes n�o era nada assim. Agora fazem estas coisas s� para estes burgueses se virem passear".
Ent�o o Zeca Afonso? E o Jos� M�rio Branco? E o Paulo de Carvalho?
O Paulo de Carvalho n�o cantou, porque estava a chover.
29 anos depois do adeus � ditadura, E Depois do Adeus???
E depois, aquela hipocrisia esgalhada num sorriso de portugu�s suave. "Ol�, est� boa? J� n�o a via h� tanto tempo... "

E nem um representante do centro-direita para poder reclamar os direitos de autor da revolu��o. Ficava-lhes bem. Mas estava a chover. Fazem-no no Parlamento. Pelo menos, l� dentro n�o chove. E manifes � coisa de comunas.
Para o ano, j� s�o 30 anos.

***

O D. foi a Roma fazer as fotos para o �lbum da D.P. e do maestro E.M.
Estava muito stressado.
Ontem, telefonaram-lhe da editora para o avisar que o maestro n�o gosta de cor-de-rosa e de lil�s, para ele n�o ir vestido com essas cores!!!

***

Tenho duas teenagers c� em casa. Vieram at� Lisboa passar uns dias de f�rias de P�scoa.
Hoje de manh�, antes de sairem de casa para irem para o centro comercial, perguntaram-me a que horas era o almo�o!
E, pasmem-se, n�o quiseram ir ao Bairro Alto, � noite!
Quando eu era teenager, n�o era assim!...

***


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O Rui apaixonou-se de repente. Pelos blogs. Diz que os ama.

A mensagem que ele me mandou:

Amo blogs
Amo monitores de computador lisos
Amo o 25 de Abril
Amo arfares rente � orelha
Amo salada de fruta
Amo barulhinhos baixos
Amo parades coloridas
Amo dias de chuva em casa a ver TV
Amo �gua quente em dias frios
Amo �gua fria em dias quentes
Amo dizer disparates
Amo dormir
Amo estar ali
Amo estar aqui.

bjs
Rui


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J� comi magn�rios. Aqui em Lisboa, n�o sabem o que s�o e acham piada ao nome.
Como acham piada �s cruzetas, a calcar a relva, a fazer o estrojido na sert� ou a sentar-me � tua beira.
Comi magn�rios, mas prefiro os morangos.


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Hoje ainda n�o h� magn�rios. Talvez um dia destes...


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